sábado, 5 de setembro de 2009

HOje vim para falar de livros ...

A minha Literatura de férias este ano...
como já vai sendo hábito, numa praia perto da minha
acontece todos os anos e durante o mês de Agosto uma
feira do livro, lá vou eu, fielmente, todos os anos. Este ano
os preços eram sugestivos, com alguns livros menos
recentes, pelo que, fiz a festa por poucos tostões :) ...

O 1º que li foi :

"As Intermitências da morte" - de José Saramago


Hilariante!!! A minha historia com Saramago é engraçada. A primeira vez que tentei ler, não fui

capaz :Z , uiii que horror aquilo é difícil e sem graça, e que raio de pontuação... O senhor, usa  letra maiúscula a seguir às virgulas, (mas isso até acho graça, as questões da pontuação são práticas e acho, por isso mesmo, os autores ditos "bons" ( na volta por preguiça ahahah), fazem disso um estilo, como faz  o Lobo Antunes, que eu adoroooo. Ainda assim  achei uma leitura um pouco difícil, pelo menos na fase em que estava não consegui acabar de ler...  Se há uma coisa que faço com muita convicção é deixar um livro a meio quando não me está a agradar...
Mas... como sou teimosa e como queria saber porque é que toda a gente gosta tanto... O que terá Saramago de especial que eu não consigo entender???  Resolvi, então, seguir o conselho de uma amiga  que é a fã número um de Saramago:

" A primeira vez que se lê Saramago, sobretudo quem não começar a achar graça, é ler em voz alta,sentas-te à lareira me vais ver que começas a achar muita piada" -  dizia ela, com muita convicção!  De facto assim foi, isto aconteceu-me com o "Memorial do Convento". Comecei a ver coisas que não via e a apreciar o que lia em cada frase. O senhor é genial!
"As Intermitências da Morte" na minha modesta opinião, (quando se trata de livros e de gostar ou não , gosto sempre de o referir), é um espanto, completamente irónico, com um enredo completamente surreal que envolve, de forma séria a brincar, questões sociais , politicas, filosóficas, morais, intelectuais, religiosas com uma profundidade impressionante, sem nunca largar o seu característico e único  sentido de humor...
A história poderia ser banal, afinal tudo começa num dia em que a morte não acontece num país...
à volta desta simples ideia é descrito um perfeito exagero ( faz-me lembrar os livros e as historietas da Cuca Canals, pelo exagero e irrealismo com que a historia se desenvolve)...
adorei, não digo mais nada porque já me está a apetecer contar a historia toda :)
leiam, é mesmo uma obra "Sui Generis"
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o 2º que li foi:
"Comer, Orar, Amar" - Elizabeth Gilbert
Bem... este nada tem a ver com o que referi em cima, mas não é por não ser uma escritora "Prémio Nobel", que não deixa de ser bastante interessante.
Gostei muito, sobretudo porque é aquele tipo de literatura feminina,( não feminista) mas feminina, que relata uma história pessoal, muito bem contada, muito real em termos de sentimentos e de pensamentos de um ser humano enquanto mulher... Todas as dúvidas , ansiedades, lutas, desajustes. Um rol de sentimentos importantes que nos vão acontecendo ao longo da existência.
Simultâneamente vai abordando um tema muito na moda, a questão do "saber trabalhar a espiritualidade", que também nos ajuda e guia a partir de uma fase da nossa vida em que começamos a questionar coisas que até então nos passavam ao lado...
Em torno destas questões, cresce uma história banal mas muito bonita e que nos leva a sítios que certamente nos apetecia ir também, consegue com isto, transportar-nos para ambientes absolutamente deliciosos...

Os outros ainda não li, não tive tempo de os ler  na praia,  desta vez cometi o disparate de levar o PC. Comecei à pouco tempo a ler os outros dois, e depois logo vos conto :)
Entretanto deixei alguns para trás, continuam  na estante à espera de serem abertos mas  que tb estou deserta de começar... o pior é que a partir de agora vai ter de ser muito devagarinho...

2 comentários:

APO (Bem-Trapilho) disse...

engraçado, costumo das esse mesmo conselho a quem me diz que não consegue ler Saramago! :) é mesmo isso, a oralidade está profundamente marcada na sua escrita. lê-lo em voz alta é como ouvi-lo falar. Apaixonante!

Sandra disse...

Amiga!!!
Até eu fiquei com vontade de ler este livro!!!E olha que isso é...bestial!!!!
beijoquinhas